terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Saudades da Yasmim!!!

Vá!

Na poesia velada, sem riso, sem pranto.
Nas palavras não proferidas, arrastadas, sussurradas.
Nos sentidos enganosos, sensações, desejos.
É ai que deverias estar!

Na visão que não se vê...
No ar que não se respira...
Na água que não mais refresca...
É ai que deverias estar!

Saia de perto das crianças,
Deixe os adultos trabalharem,
Não finja que entende os velhos,
ai não é seu lugar!

Se já encontrou o choro,
Se já encontrou a angústia,
Se já não consegue dormir,
É assim que deverias estar!

Se quiser sair do lixo,
volte para lama,
Se não quiser mais comer coisas podres,
seja você mesmo a carniça,
Se não se achas merecedor da vida,
Tire-a!
Aqui não é seu lugar!

Devolva tudo que tem de belo.
Rasgue suas dívidas de gratidão.
Doe seus discos e livros...
e volte para onde nunca deverias ter saído!

E quanto mais detesto sua existência,
Mais apaixonado me ponho a estar,
Apesar de todas as merdas que me causa,
É com você que eu quero ficar!

Diel Oliver
27/12/2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Benjamin Button

 

 

 

"Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente."

O Curioso Caso de Benjamin Button

domingo, 8 de maio de 2011

O Medo

 

O Medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.

Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 1 de maio de 2011

Definitivo

 

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional
...

Carlos Drumond de Andrade

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ideias

 

“Nada corrompe mais um ser humano, que uma ideia bem fundamentada.”

Diel

domingo, 9 de janeiro de 2011

Amor Egoísta

 

Amor Egoísta

Quanto mais converso com amigos e conhecidos, e até mesmo desconhecidos. Sinto que um sentimento egoísta está tomando conta dos corações. As pessoas não creem mais no amor e tento imaginar o que isso fará com o futuro da humanidade.

Será amar assim tão difícil? Eu mesmo não posso contribuir muito neste assunto. Não sei se eu já amei alguma vez… A sensação que tenho é a de nunca amei. Mas sinto falta disso!

O que impera na maioria dos relacionamentos são a sensação de posse e de ganho. “Eu tenho o mais bonito”. “Eu tenho o mais inteligente”. “Eu tenho o melhor cara na cama”. Apenas isso! Estamos perdendo a capacidade de nos relacionar e não consigo imaginar um futuro duradouro para nossa espécie se isso continuar a se agravar.

Mas isso tem uma causa. Qual será a causa disso? Será um fruto de nosso sistema econômico capitalista, onde prevalece a busca da mais valia? Será que isso tem cunho religioso e reflete a falta de religiosidade de grande parte da população? Será os fins dos tempos? Será uma evolução na forma de se relacionar?

Não tenho resposta para estas perguntas… E também não acredito que alguém as tenha. Não sou um historiador, nem um letrado, não sei dizer se isso sempre foi assim e eu apenas vivia cego numa versão romântica da vida.

O fato é que essa “verdade” me incomoda de algum jeito. E de alguma forma eu quero lutar contra ela, mesmo, a contra gosto, descobrindo que estou mais inserido nela que eu imaginava. Mas eu quero acreditar que o amor pode tudo. Eu quero acreditar que o amor é a fonte de toda felicidade. Eu quero acreditar que o amor é eterno.